DOSSIER TEMÁTICO: ¿Quién Educa al Algoritmo? Formación Docente para la Soberanía Digital y la Inteligencia Artificial (IA)
¿Quién Educa al Algoritmo? Formación Docente para la Soberanía Digital y la Inteligencia Artificial (IA)
Globalización. ¿Estamos globalizados? Iniciamos este debate con Bauman (1999, p. 7), quien argumenta que todas las palabras de moda tienden al mismo destino: «cuantas más experiencias intentan explicar, más opacas se vuelven y más rápido se convierten en cánones incuestionables». Se ha vuelto común afirmar que la globalización ha propiciado un avance en las interrelaciones humanas mediante el desarrollo incesante de las tecnologías digitales, que nos han permitido, por ejemplo, romper las barreras geográficas y temporales a través de pantallas y clics. En 2022, podríamos presenciar el auge de la herramienta tecnológica más reciente, la Inteligencia Artificial Generativa (IAG), que promete revolucionar la productividad y la creatividad al automatizar tareas y generar una amplia variedad de textos a partir de una simple orden. Muchos celebran la eficiencia de la herramienta y se regocijan al ver que las tareas se realizan automáticamente al escribir una instrucción, pero ¿hay solo motivos para celebrar? ¿Cuáles son las cuestiones éticas que pueden implicar el uso y desarrollo de estas tecnologías? ¿Cuáles son los impactos socioambientales que la IA, al producir imágenes aparentemente simples, puede generar? ¿Cómo generar conocimiento integrado en el contexto de la IA? ¿Cómo capacitar a los docentes para trabajar con estudiantes cada vez más conectados?
Sabemos que estas tecnologías seducen a lectores, usuarios, consumidores y productores, invitándolos a navegar libremente con la creencia de que el conocimiento es accesible y disponible para todos, y que la información está al alcance de la mano. Inicialmente, no existe una percepción crítica de que las tecnologías digitales contribuyen, en gran medida, al colonialismo digital (Kwet, 2021), entendido como una forma de dominación política, económica, social, cultural y educativa sobre lo que se desarrolla en el Sur Global. Para construir esta percepción, es necesario desarrollar competencias cibersociales (Cope, Kalantzis, 2024) y, con ello, capacitar a generaciones de docentes que, con la posibilidad de comprender el funcionamiento interno de la programación y los algoritmos (Araújo, 2025), puedan considerar las herramientas tecnológicas como aliadas en el proceso de enseñanza-aprendizaje.
Con miras a una educación crítica y que genere problemas, este dossier pretende reunir investigaciones centradas en la comprensión de los procesos discursivos que involucran las relaciones entre el colonialismo digital, las tecnologías digitales, la inteligencia artificial y la formación docente, como una forma de reflexionar, actuar y proponer acciones que busquen, en sus contextos específicos, reducir las profundas brechas que separan a los sujetos entre quienes tienen y quienes no tienen acceso al conocimiento producido y compartido.
VERSÃO EM PORTUGUÊS
Quem Educa o Algoritmo? Formação Docente para a soberania digital frente à Inteligência Artificial (IA)
Globalização. Estamos globalizados? Iniciamos essa proposta com Bauman (1999, p. 7) ao argumentar que todas as palavras de moda tendem a um mesmo destino: “quanto mais experiências pretendem explicar, mais opacas se tornam e mais rápido se tornam cânones inquestionáveis”. Tornou-se lugar comum dizer que a globalização proporcionou um avanço nas inter-relações humanas, por meio do desenvolvimento incessante das tecnologias digitais, o que nos proporcionou, por exemplo, romper as fronteiras geográficas-temporais por meio de telas e cliques. No ano de 2022, podemos vivenciar a ascensão da mais nova ferramenta tecnológica, a Inteligência Artificial Generativa (IAGen) que chegou prometendo revolucionar a produtividade e a criatividade automatizando tarefas e gerando os mais diversos textos a partir de um simples comando. Muitos comemoram a eficiência da ferramenta e se alegram com tarefas sendo realizadas automaticamente ao escrever um prompt, mas será que só há motivos para comemoração? Quais são as questões éticas que podem envolver o uso e o desenvolvimento dessas tecnologias? Quais os impactos socioambientais que a IA ao produzir imagens, a princípio singelas, podem gerar? Como produzir conhecimento inseridos no advento da IAGen? Como formar professores para o trabalho com alunos cada vez mais conectados?
Sabemos que essas tecnologias seduzem os leitores-usuários-consumidores-produtores a navegarem livremente com a crença de que o conhecimento está dado e acessível e as informações são para todos, podendo ser exploradas nas palmas das mãos. Não há, a princípio, a percepção crítica de que as tecnologias digitais colaboram, sobremaneira, para o colonialismo digital (Kwet, 2021) como forma de domínio político, econômico, social, cultural e educacional sobre o que se desenvolve no Sul-Global. Para construirmos essa percepção é preciso desenvolver letramentos cibersociais (Cope, Kalantzis, 2024) e, com isso, formar gerações de professores que, com possibilidades de desvendarem a “caixa preta” da programação e dos algoritmos (Araújo, 2025), possam olhar para as ferramentas tecnológicas e entendê-las como parceiras no processo de ensinar e de aprender.
Com vistas a uma educação problematizadora e crítica, este dossiê tem por objetivo reunir pesquisas voltadas para a compreensão de processos discursivos que envolvam as relações existentes entre colonialismo digital, tecnologias digitais, inteligência artificial e formação docente como forma de refletir-agir-propor ações que busquem, em seus contextos específicos, diminuir os fossos profundos que separam os sujeitos entre os que têm e os que não têm acesso ao conhecimento produzido e compartilhado.
ENGLISH VERSION
Who Educates the Algorithm? Teacher Training in the Face of Digital Sovereignty and Artificial Intelligence (AI)
Globalization. Are we globalized? We begin this discussion with Bauman (1999, p. 7) arguing that all buzzwords tend towards the same fate: "the more experiences they attempt to explain, the more opaque they become and the faster they become unquestionable canons." It has become commonplace to say that globalization has provided an advance in human interrelations through the incessant development of digital technologies, which has allowed us, for example, to break down geographical and temporal boundaries through screens and clicks. In 2022, we may witness the rise of the newest technological tool, Generative Artificial Intelligence (GAI), which promises to revolutionize productivity and creativity by automating tasks and generating a wide variety of texts from a simple command. Many celebrate the efficiency of the tool and rejoice in tasks being performed automatically by typing a prompt, but is there only cause for celebration? What are the ethical issues that may involve the use and development of these technologies? What are the socio-environmental impacts that AI, when producing seemingly simple images, can generate? How to produce knowledge embedded in the advent of AI? How to train teachers to work with increasingly connected students?
We know that these technologies seduce readers-users-consumers-producers to navigate freely with the belief that knowledge is given and accessible and that information is for everyone, and can be explored in the palms of their hands. There is, at first, no critical perception that digital technologies contribute, to a great extent, to digital colonialism (Kwet, 2021) as a form of political, economic, social, cultural and educational domination over what develops in the Global South. To build this perception, it is necessary to develop cybersocial literacies (Cope, Kalantzis, 2024) and, with that, train generations of teachers who, with the possibility of unraveling the "black box" of programming and algorithms (Araújo, 2025), can look at technological tools and understand them as partners in the teaching and learning process.
With a view to a problematizing and critical education, this dossier aims to bring together research focused on understanding discursive processes involving the relationships between digital colonialism, digital technologies, artificial intelligence and teacher training as a way to reflect-act-propose actions that seek, in their specific contexts, to reduce the deep gaps that separate subjects between those who have and those who do not have access to the knowledge produced and shared.





